Indústria automotiva poderá paralisar em dezembro

Falta de matéria-prima, aumento de custos e alta de casos de coronavírus estão entre as causas

A produção segue impactada pelos protocolos sanitários nas fábricas e também pela falta de componentes e insumos

Segundo o levantamento mensal da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), novembro manteve o viés de alta iniciado no segundo semestre, apresentando os melhores números da indústria automobilística no ano. Exportações e produção chegaram a superar os patamares de novembro de 2019, maso mercado interno ainda gira7,1% abaixo do verificado no ano passado.

No entanto, um dos destaques da última coletiva de imprensa de 2020 foi a preocupação externada por Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, com a continuidade da desvalorização do real e do aumento dos insumos, além da falta deles. “Existe um risco de paralisação muito alto em dezembro, pois houve um descompasso entre a oferta e a demanda de matérias-primas. Estamos tendo problemas com fornecimento de aço, que também passou por reajuste, borracha e pneus, por exemplo. As grandes empresas conseguem ter maior poder de barganha, mas os fornecedores menores não conseguem fazer isso. Até já houve casos de montadora comprar aço para fornecedores”, contou Moraes.

Outro tema que tem tirado o sono da indústria automotiva é o recente crescimento de novos casos de coronavírus. Por essa razão, segundo respondeu ao Portal AMANHÃ, a vacina se torna um bem vital para a retomada econômica. “Economia tem muito a ver com expectativa também. A vacina criará um ambiente de consumo e fará com que os investidores retomem o ânimo. Espero que as autoridades possam aprovar um planejamento para a imunização da melhor forma possível, pois isso vai puxar a economia como um todo, assim como o setor automotivo”, afirmou.

Produção
A produção segue impactada pelos protocolos sanitários nas fábricas e também pela falta de componentes e insumos. Em novembro foram produzidos 238.200 veículos, crescimento de apenas 0,7% sobre outubro – número incapaz de acompanhar o aumento da demanda.Esse número é 4,7% superior ao de novembro de 2019, mas naquela época havia estoque de 330 mil veículos. Hoje há menos de 120 mil veículos estocados nas fábricas e na rede, volume suficiente para sustentar apenas 16 dias de vendas. No acumulado do ano, a produção de 1.804.759 unidades é 35% inferior à do ano passado.

A surpresa positiva em novembro foi o volume exportado: 44.007 unidades, melhor resultado desde agosto de 2018. Essa alta é justificada pelo represamento de envios ocorrido nos últimos meses, em função do estágio de pandemia nos países vizinhos, sobretudo na Argentina. E também por conta da antecipação de embarques para o encerramento do ano. Porém, o total de 285.925 unidades exportadas ainda é 28,4% menor que em 2019, que já havia sido um período de forte queda.

Já o mercado interno fechou com 225.010 unidades licenciadas, alta de 4,6% sobre o mês anterior, porém com retração de 7,1% sobre novembro passado.No ano, foram 1.814.470 veículos emplacados, volume 28,1% inferior ao dos 11 primeiros meses de 2019. No Sul, responsável por 17% dos emplacamentos no Brasil, a queda foi um pouco menor, tendo em conta que são estados mais agrícolas (-25%).

Isoladamente, o setor de caminhões mantém resultados melhores que os de automóveis e ônibus. Máquinas agrícolas e rodoviárias tiveram discreto aumento na produção e nas exportações em novembro, na comparação com outubro, apesar de um ligeiro recuo nas vendas.

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