Setor calçadista deve crescer 19% no próximo ano

A principal pauta em 2021 é a renovação e ampliação do antidumping

Indústria calçadista deve encerrar o ano com a perda de aproximadamente 20 mil postos de trabalho

Dependente do mercado doméstico, para o qual são destinadas mais de 85% das vendas setoriais, a indústria calçadista viu sua produção despencar 27% (até outubro, conforme dados do IBGE). Para o final do ano, a projeção é de que a queda fique em torno de 25%, fazendo com que o setor retorne ao patamar produtivo de 16 anos atrás, na faixa de 650 milhões de pares. A retração, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), é influenciada também pelas exportações de calçados, que até novembro caíram 19,4% (para 84,4 milhões de pares).

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, evidencia que a crise sanitária afetou severamente a indústria calçadista, que deve encerrar o ano com 250 milhões de pares a menos e com a perda de aproximadamente 20 mil postos de trabalho. “Existe uma tendência de recuperação verificada nos últimos meses. Para o início do próximo ano, a tendência é essa, ainda mais levando em consideração a vacinação e a normalização do comércio físico, do qual ainda somos dependentes”, explica o executivo, ressaltando que a previsão é de um crescimento de 19% ao longo de 2021, portanto com o setor ainda encerrando o próximo ano abaixo dos registros de 2019. “Ou seja, se empatarmos com 2019, será apenas em 2022”, projeta Ferreira.

Ferreira conta que o ano só não foi pior devido a algumas medidas de estímulos adotadas pelo governo federal, caso da MP 936, que permitiu a preservação de empregos através da flexibilização das jornadas e suspensões temporárias de contratos de trabalho, e da desoneração da folha de pagamentos, que permitiu que as empresas continuassem substituindo o pagamento de 20% sobre a folha de salários por 1,5% da receita bruta, excluindo as exportações. “Essas iniciativas foram fundamentais. O ano poderia ter sido muito pior do que foi”, avalia.

Antidumping
A principal pauta para o setor em 2021 é a renovação e ampliação do direito antidumping, que atualmente é aplicado contra calçados importados da China com o objetivo de garantir a concorrência leal no mercado interno brasileiro. A sobretaxa, atualmente em US$ 10,22 por par importado da China, vence em março de 2021. Além da renovação da medida, a Abicalçados está pleiteando a ampliação do direito para Vietnã e Indonésia, países que também utilizam o dumping para competir nos seus principais mercados, caso do Brasil.

A medida é vista como fundamental para garantir a concorrência leal no mercado interno brasileiro, ainda mais diante do atual cenário, em que os países asiáticos já voltaram aos patamares produtivos pré-crise e devem aumentar suas exportações de produtos altamente subsidiados ao longo do próximo ano.

Últimas Notícias

Maioria do STF vota para manter decisão que considerou Moro parcial

Supremo também definiu que cabe à Justiça Federal do DF julgar os processos contra Lula

BC aprova obrigatoriedade dos bancos ofertarem Pix por agendamento

Instituições também ganharam mais prazo para o Pix Cobrança

Pandemia impulsiona transformações no modelo de negócios do varejo

Pesquisa global da PwC revela uma clara aceitação da sustentabilidade

Brasil formaliza redução das emissões de carbono até 2030

País se comprometeu a eliminar o desmatamento no mesmo período

Relacionados