Web Summit terá grande impacto no ecossistema de inovação do Sul

Governo e empreendedores projetam transformações significativas caso o evento aconteça na capital gaúcha a partir de 2022

Na primeira etapa, Porto Alegre superou três fortes concorrentes: São Paulo, Florianópolis e Fortaleza

Enquanto espectadores de todo o mundo acompanham a edição online da Web Summit, que acontece entre quarta (2) e sexta-feira (4) desta semana, o Rio Grande do Sul se volta para 2022. Nas próximas semanas será anunciada a sede sul-americana do evento daqui a dois anos — e o maior encontro global sobre tecnologia poderá desembarcar em Porto Alegre.

No dia 24 de novembro, um tweet do CEO e cofundador do evento, Paddy Cosgrave, trouxe enorme expectativa aos gaúchos. “Em 2022, haverá um Web Summit sul-americano. Nos últimos dois anos, passamos de uma lista de cinco países para um: o Brasil. Agora precisamos escolher entre duas cidades incríveis: Rio de Janeiro ou Porto Alegre? O que você diz?”, escreveu Cosgrave. Uma mensagem que coroa um trabalho de mais de um ano do Estado — e cujo resultado poderá transformar significativamente a capital e todo o Rio Grande do Sul quando o assunto é inovação.

Com 21 universidades, 15 parques tecnológicos, 24 incubadoras de negócios e mais de mil startups, o Rio Grande do Sul possui um ecossistema de inovação que é referência para o Brasil e o mundo. A capital do Estado vem liderando revoluções na América Latina em diversas verticais, como indústria 4.0, fintechs, martechs e adtechs. Foi a partir dessa estrutura consolidada que Porto Alegre se lançou na disputa para sediar a Web Summit.

Mais do que um evento
“O governador Eduardo Leite colocou esse desafio para nós em reunião no ano passado. Em setembro de 2019, começamos o processo da candidatura. Estamos fazendo um grande movimento para que a Web Summit seja abraçada pela cidade”, conta o secretário estadual de Planejamento, Governança e Gestão, Claudio Gastal, líder do governo gaúcho na força-tarefa, em entrevista a AMANHÃ. Na primeira etapa, a capital superou três fortes concorrentes: São Paulo, Florianópolis e Fortaleza.

O anúncio do CEO da conferência surpreendeu o grupo, uma vez que a cidade foi a única que não recebeu a visita técnica de Paddy Cosgrave. “Já tínhamos a visita agendada em março, mas tivemos de adiar por causa da pandemia”, recorda Gastal. O secretário aponta que a Web Summit é mais do que um evento. “É um processo, um conceito, pois repercute por quatro anos e movimenta toda a cidade. Portugal, por exemplo, recebeu muitas startups e empresas”, afirma.

A última edição do encontro, em Lisboa, atraiu mais de 70 mil visitantes de 163 países. Foram mais de 124 milhões de euros injetados na economia de Portugal. Este ano, a versão on-line terá mais de 800 speakers como Eric Yuan, CEO do Zoom; Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn; Tim Berners-Lee, inventor da internet; Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde; e Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

Caso a Web Summit aconteça em Porto Alegre, as atividades acontecerão em uma área de 22 mil metros quadrados na Orla do Guaíba, entre o estádio Beira-Rio e o Gigantinho (veja maquete no início desta reportagem). A expectativa é de que participem, pelo menos, 20 mil pessoas — sendo a maioria da Europa, Estados Unidos e países do Mercosul. “O encontro deixará como legado uma rotina de networking com investidores, trazendo reflexo em vários setores, da indústria ao agro, pois a inteligência artificial e a internet das coisas estão cada vez mais presentes em nossas vidas”, ressalta Gastal.

Expectativa entre empreendedores
O trabalho para trazer o evento a Porto Alegre é conduzido pelo Governo do Estado, em parceria com a prefeitura municipal e parceiros como a Tecnopuc e 4all. De acordo com o CEO da 4all, José Renato Hopf, a Web Summit teve grande impacto na inovação em Portugal. Nos últimos anos, grandes players como Google, Uber, Mercedes-Benz e Volkswagen implantaram centros de serviços e de inteligência em Lisboa.

“Temos apoiado desde o início a construção da candidatura, na preparação do material e na interlocução com os diversos atores do nosso ecossistema e os representantes da organização do evento”, explica. “O Rio Grande do Sul é berço de startups no Brasil, possui segurança e localização privilegiada. Além disso, o poder público, empresas e universidades estão conectados para transformar Porto Alegre na sede da conferência. Estamos prontos e empenhados para abraçar a Web Summit,” analisa Hopf.

Anderson Cardoso, sócio-fundador do escritório Souto Correa Advogados, avalia que a possibilidade de a Web Summit ocorrer na capital gaúcha “é uma oportunidade imperdível que o Rio Grande do Sul tem para mostrar porque é um dos maiores polos de startups e parques tecnológicos do Brasil”. O presidente eleito da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), que tomará posse em dezembro, acrescenta que o evento permitirá que os gaúchos vivenciem debates sobre o que há de mais moderno em tecnologia no mundo.

Para o CEO da BriviaDez, Márcio Coelho, o encontro poderá ser “um catalisador de conhecimento, além de trazer desenvolvimento econômico e ativar nosso mercado para inúmeros players de negócios”. Há vários anos, a agência de estratégia, experiência e comunicação participa da Web Summit, testemunhando in loco as transformações que tem gerado em Lisboa. “Observamos Portugal se mobilizando fortemente para mantê-la na cidade e fazê-la crescer. Ficamos empolgados em ver isso acontecer em Porto Alegre”, destaca.

A realização do Web Summit deverá ter um custo estimado acima de R$ 30 milhões. Investimento que, como ressalta o CEO do CRM PipeRun, Cezar Augusto Gehm Filho, se paga com o giro da economia. “É uma grande fonte de receita no turismo, hotelaria, alimentação, transporte. Rapidamente esse custo é absorvido pelo movimento econômico e arrecadação de tributos”, diz o empresário, que observa uma grande união dos empreendedores para que a conferência aconteça em Porto Alegre. “Temos muitos líderes engajados. Se formos escolhidos, teremos um grande avanço de inovação e mudança de mentalidade”, reforça Gehm Filho, que esteve no ano passado em Lisboa para acompanhar a programação.

A expectativa é de que a nova casa do Web Summit seja anunciada esta semana, após a edição virtual. Mais do que decidir a sede na América do Sul do maior encontro de inovação do mundo, o veredicto poderá definir, também, o futuro do ecossistema de inovação em todo o Sul.

Cobertura exclusiva na AMANHÃ
O Grupo AMANHÃ está realizando, mais uma vez, a cobertura exclusiva do Web Summit. Com a curadoria da BriviaDez, os jornalistas Rafael Codonho e Tomás Adam, sócios da Critério — Resultado em Opinião Pública, trazem reportagens especiais no portal e publicações nos canais digitais, com os principais insights e tendências geradas pela programação. O evento acontece pela primeira vez em formato 100% digital, devendo reunir em torno de 100 mil participantes, conectados em uma plataforma virtual. Esta será a terceira edição do evento acompanhada por AMANHÃ.

*Colaboração de Antônio Purcino e Eliane Iensen

Últimas Notícias

Maioria do STF vota para manter decisão que considerou Moro parcial

Supremo também definiu que cabe à Justiça Federal do DF julgar os processos contra Lula

BC aprova obrigatoriedade dos bancos ofertarem Pix por agendamento

Instituições também ganharam mais prazo para o Pix Cobrança

Pandemia impulsiona transformações no modelo de negócios do varejo

Pesquisa global da PwC revela uma clara aceitação da sustentabilidade

Brasil formaliza redução das emissões de carbono até 2030

País se comprometeu a eliminar o desmatamento no mesmo período

Relacionados