PIB avança 7,7% no terceiro trimestre

Com o resultado, a economia do país se encontra no mesmo patamar de 2017, com uma perda acumulada de 5% de janeiro a setembro

No trimestre, a expansão do PIB foi causada, principalmente, pelo desempenho da indústria

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,7% no terceiro trimestre, na comparação com o segundo trimestre, maior variação desde o início da série em 1996, mas ainda insuficiente para recuperar as perdas provocadas pela pandemia. Com o resultado, a economia do país se encontra no mesmo patamar de 2017, com uma perda acumulada de 5% de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período de 2019.

A indústria cresceu 14,8% e os serviços aumentaram 6,3%, enquanto a agropecuária ficou em -0,5%. Na comparação com igual período de 2019, o PIB, que é soma dos bens e serviços finais produzidos no país, teve retração de 3,9% e, em valores correntes, chegou a R$ 1,8 trilhões. Os dados são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgado pelo IBGE.

“Crescemos sobre uma base muito baixa, quando estávamos no auge da pandemia, o segundo trimestre. Houve uma recuperação no terceiro, contra o segundo trimestre, mas se olharmos a taxa interanual, a queda é de 3,9% e no acumulado do ano ainda estamos caindo, tanto a indústria quanto os serviços. A Agropecuária é a única que está crescendo no ano, muito puxada pela soja, que é a nossa maior lavoura”, avalia Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE.

No trimestre, a expansão do PIB foi causada, principalmente, pelo desempenho da indústria, com destaque para o crescimento de 23,7% no setor de transformação. Também houve altas em eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (8,5%), construção (5,6%) e indústrias extrativas (2,5%). “Olhando pela ótica produtiva, o destaque foi a indústria de transformação, até pelo fato de ter caído bastante no segundo trimestre (-19,1%), com as restrições de funcionamento. A Indústria cresceu como um todo 14,8%, e a de transformação 23,7%, mas voltamos ao patamar do primeiro trimestre”, analisa Rebeca.

Serviços ainda não recuperam perdas
Outro destaque foi o setor de serviços, que têm o maior peso na economia, e apresentou crescimento em todos os segmentos: comércio (15,9%), transporte, armazenagem e correio (12,5%). “Os serviços caíram 9,4% no segundo trimestre e agora cresceram 6,3% no terceiro trimestre. Mas não recuperou o patamar do primeiro trimestre, pois houve uma queda tanto na oferta quanto na demanda. Mesmo tendo sido retiradas as restrições de funcionamento, as pessoas ainda ficam receosas para consumir, principalmente os serviços prestados às famílias, como alojamento, alimentação, cinemas, academias e salões de beleza. O desempenho melhorou em relação ao segundo trimestre, mas ainda não voltou aos patamares antes da pandemia”, destaca Rebeca. Quanto à variação negativa de 0,5% na agricultura, Rebeca afirma se tratar de um ajuste de safra. “O destaque é o crescimento de 2,4% no acumulado do ano, ante uma queda de 5,1% a Indústria e 5,3% dos Serviços”, diz Rebeca.

Consumo das famílias cresce 7,6%
Pela ótica da despesa, o que mais pesa é o consumo das famílias (65%), que teve expansão de 7,6%, num patamar muito parecido com o do PIB, destaca Rebeca. Ela observa que o indicador havia caído 11,3% no segundo trimestre, mas no terceiro o consumo de bens subiu bastante – especialmente bens duráveis e bens alimentícios da cadeia agroalimentar. “O consumo de serviços teve crescimento, mas foi bem menor do que a queda anterior, pois as famílias não voltaram a consumir no patamar anterior à pandemia”, ressalta.

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 11%. Mas segundo Rebeca esse desempenho está relacionado à base de comparação com o segundo trimestre em que havia caído 16,5%. “No acumulado do ano, a queda é de 5,5%. E o país ainda tem investimento em equipamentos importados e como o dólar está alto, influencia para baixo”, sublinha Rebeca.

No que se refere ao setor externo, as Exportações de Bens e Serviços tiveram queda de 2,1%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços caíram 9,6% em relação ao segundo trimestre de 2020. Segundo Rebeca, um dos fatores é o câmbio. “A importação cai devido à baixa atividade econômica e ao câmbio desvalorizado. Por outro lado, a exportação não cresceu devido aos problemas de parceiros comerciais. Além das quedas na importação e exportação de serviços como viagens internacionais, que despencou assim como transporte aéreo de passageiros”, diz Rebeca.

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