Tesouro Direto ou Fundos Imobiliários: qual faz mais sentido para o trabalhador investir em 2026?

Diego Velázquez
Diego Velázquez Investimento 8 Min de leitura
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Com a Selic em 14,50% ao ano e FIIs negociados com desconto, o trabalhador que poupa tem diante de si um dilema real — e a resposta depende de objetivos, prazo e tolerância ao risco

O trabalhador brasileiro que consegue poupar uma parte do salário todos os meses tem diante de si, em 2026, um mercado de investimentos que oferece opções genuinamente atrativas, mas também uma complexidade maior do que em períodos de juro mais baixo. Com a Selic reduzida para 14,50% ao ano pelo Banco Central em abril de 2026, a renda fixa continua sendo uma das alternativas mais competitivas do mercado. Mas ao mesmo tempo, os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) continuam pagando rendimentos mensais isentos de Imposto de Renda e muitos estão sendo negociados abaixo do seu valor patrimonial, o que cria oportunidades para quem pensa no longo prazo.

A questão que muitos trabalhadores se fazem neste momento é direta: vale a pena migrar para o Tesouro Direto e abandonar os fundos imobiliários? Ou o contrário? A resposta honesta é que nenhum desses extremos faz sentido para a maioria dos investidores. Tesouro Direto e FIIs são instrumentos com objetivos diferentes, horizontes de tempo distintos e formas de pagamento que atendem a necessidades específicas. Entender essas diferenças é o primeiro passo para tomar uma decisão que realmente sirva à sua realidade financeira.

O Tesouro Direto no cenário atual

O Tesouro Direto oferece títulos públicos do governo federal com diferentes características. O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e é a opção mais adequada para a reserva de emergência, porque tem liquidez diária e rentabilidade próxima à Selic sem oscilação relevante de preço. Com a Selic em 14,50%, esse título rende cerca de 1,1% ao mês, o que é expressivo para um produto de baixíssimo risco.

O Tesouro IPCA+ é uma modalidade diferente: oferece a variação do IPCA (a inflação oficial) mais uma taxa fixa. Essa taxa está em níveis muito atrativos no momento, o que significa que quem compra esse título e o mantém até o vencimento garante uma rentabilidade real, acima da inflação, bastante interessante. O ponto de atenção é que esse título oscila de preço ao longo do tempo, e quem precisar vendê-lo antes do vencimento pode ter surpresas negativas ou positivas dependendo de como estiver a curva de juros no momento da venda. Por isso, o Tesouro IPCA+ é mais indicado para objetivos de médio e longo prazo, como a aposentadoria ou a compra de um imóvel em cinco ou dez anos.

Os FIIs no atual momento do mercado

Os Fundos Imobiliários estão em uma posição interessante, porém complexa. Com juros elevados, os preços das cotas têm sido pressionados para baixo, porque a renda fixa oferece uma concorrência direta. Isso criou uma situação em que muitos FIIs de qualidade estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial, o que representa um desconto real em relação ao valor dos imóveis e ativos que compõem a carteira de cada fundo. A carteira fundamentalista da XP Investimentos para junho de 2026 aponta que o mercado de galpões logísticos, por exemplo, segue aquecido com taxa de vacância em mínimas históricas, impulsionado pelo crescimento do e-commerce.

Os FIIs de papel, que investem em recebíveis imobiliários como CRIs indexados ao IPCA ou ao CDI, estão passando por um momento de desempenho sólido precisamente porque os juros altos aumentam os rendimentos desses títulos. Já os FIIs de tijolo, que investem diretamente em imóveis como shoppings, galpões e escritórios, ainda sentem a pressão dos juros mas começam a apresentar uma recuperação gradual à medida que a atividade econômica mantém demanda por esses espaços. O mercado de escritórios em São Paulo, por exemplo, segue em recuperação com o retorno do trabalho presencial, segundo análise da XP.

O principal atrativo dos FIIs para o trabalhador comum é a distribuição mensal de rendimentos, isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas que atendem aos requisitos legais. Essa renda mensal pode funcionar como um complemento de renda ou ser reinvestida para acelerar o crescimento do patrimônio. Com o IFIX, índice que mede a performance dos principais FIIs listados na B3, apresentando oscilações relevantes ao longo de 2025 e 2026, é fundamental escolher fundos com gestão sólida, imóveis em boas localizações e histórico consistente de distribuição.

Como o trabalhador pode construir uma estratégia equilibrada

A estratégia mais robusta para a maioria dos trabalhadores que poupam mensalmente não é escolher entre Tesouro Direto e FIIs, mas combinar os dois de acordo com os objetivos específicos de cada pessoa. O Tesouro Selic deve ser a base da reserva de emergência, o dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento e não pode correr risco de perda temporária. Uma reserva equivalente a três a seis meses de despesas mensais é o mínimo recomendado antes de qualquer outro investimento.

A partir da reserva consolidada, os investimentos podem ser divididos conforme o horizonte de tempo e os objetivos. Para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, o Tesouro IPCA+ e os FIIs de qualidade podem ser combinados de forma a gerar rentabilidade real acima da inflação e uma renda mensal crescente. Para quem está começando com valores menores, muitos FIIs têm cotas negociadas a preços acessíveis, e o Tesouro Direto permite aplicações a partir de valores bastante reduzidos.

O contexto atual, com juros em patamar restritivo mas com perspectiva gradual de queda ao longo do horizonte de 2027 e 2028 segundo o Boletim Focus, favorece tanto a renda fixa (pela rentabilidade presente elevada) quanto os FIIs de qualidade (pelo potencial de valorização das cotas quando os juros caírem). O trabalhador que começa a investir agora, com disciplina e educação financeira, está em um dos melhores momentos da última década para construir um patrimônio sólido ao longo do tempo. O importante é não deixar o dinheiro parado e sempre investir de acordo com um plano estruturado, não apenas em resposta às emoções do mercado.

Fontes: A Revista – Tesouro Direto vs FIIs | XP Investimentos – Carteira FIIs Junho 2026 | Agência Brasil – Boletim Focus | Investidor10 – Agenda Dividendos FIIs

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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