A Operação Resgate VI identificou e retirou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão no Brasil. Os casos foram encontrados em 231 ações fiscais realizadas entre 1º e 31 de agosto de 2026, em diferentes regiões e setores da economia. A operação foi coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, com participação do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União e da Polícia Federal.
Os resultados foram divulgados em 9 de setembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Na mesma data, a Polícia Federal também informou sua participação na força-tarefa, em publicação atualizada no dia 10 de setembro.
Casos foram identificados em áreas rurais e urbanas
Do total de trabalhadores resgatados, 292 estavam em atividades no meio rural, 178 no meio urbano e nove em trabalho doméstico. A Região Sudeste concentrou o maior número de ocorrências, com 267 pessoas retiradas dessas condições. Minas Gerais respondeu por 208 desses casos, segundo os dados apresentados pelas autoridades.
A operação também encontrou 75 mulheres, 13 crianças e adolescentes e 66 migrantes entre as pessoas alcançadas pelas fiscalizações. Os trabalhadores migrantes eram originários de países como Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Senegal e Guiné-Bissau. A diversidade dos locais e dos perfis envolvidos mostra que a violação de direitos pode ocorrer em diferentes contextos de trabalho e não está restrita a uma única atividade econômica.
Construção civil e lavouras aparecem entre os setores fiscalizados
Entre os segmentos com registros durante a Operação Resgate VI está a construção civil, que teve 85 trabalhadores resgatados. O cultivo de café somou 53 casos. Também foram identificadas situações em plantações de cebola, batata-inglesa e outras lavouras temporárias, além de atividades de coleta em florestas nativas.
Os números reforçam a relação entre condições degradantes, informalidade e ausência de garantias básicas no mercado de trabalho. A fiscalização não se limitou à identificação das vítimas: as empresas e responsáveis alcançados pelas ações tiveram de interromper as atividades irregulares, formalizar retroativamente os contratos e cumprir as obrigações trabalhistas determinadas pelas autoridades.
Mais de R$ 1,4 milhão será pago em direitos trabalhistas
As medidas adotadas resultaram no pagamento de mais de R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas e rescisórias aos trabalhadores resgatados. O valor reúne direitos reconhecidos a partir da regularização dos vínculos e do encerramento das situações consideradas ilegais.
As vítimas também receberam o seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão. O benefício corresponde a seis parcelas de um salário mínimo cada. A medida busca oferecer proteção financeira imediata enquanto essas pessoas deixam a situação de exploração e podem buscar novas oportunidades de trabalho.
Fiscalização identificou falta de registro em 1.192 casos
Além dos 479 resgates, as ações fiscais encontraram 1.192 pessoas trabalhando sem registro formal. A falta de anotação do vínculo pode dificultar o acesso a direitos como férias, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e benefícios previdenciários, além de reduzir a proteção do trabalhador em situações de acidente ou desligamento.
A fiscalização deve resultar na lavratura de aproximadamente 1.836 autos de infração. Esses documentos registram as irregularidades constatadas e podem dar origem a medidas administrativas e outras providências previstas na legislação. A operação também evidencia a importância da atuação integrada entre órgãos de fiscalização, investigação, defesa dos trabalhadores e responsabilização dos empregadores.
Para quem procura emprego, os resultados servem como alerta sobre a necessidade de verificar as condições oferecidas antes de aceitar uma vaga. Registro formal, remuneração combinada, segurança no ambiente de trabalho e respeito à jornada são elementos centrais de uma relação profissional protegida. No caso das vítimas resgatadas, a atuação do Estado buscou interromper a exploração, garantir o pagamento dos direitos e assegurar uma proteção social emergencial.