Sessenta e dois quilômetros de pórticos atravessam Bologna, e Antonella Giancoli explica por que a Benarrivati destaca essa arquitetura nos roteiros pela Emília-Romanha

Ren Takamura
Ren Takamura Notícias 5 Min de leitura
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Antonella Amaral Giancoli

Em Bologna, Antonella Giancoli, da Benarrivati, apresenta o sistema de pórticos que soma cerca de 62 quilômetros pela cidade. Doze conjuntos representativos foram reconhecidos pela Unesco em 2021 e ajudam a contar uma tradição urbana iniciada na Idade Média

Ao longo de Bologna, cerca de 62 quilômetros de pórticos acompanham ruas, praças e edifícios, criando uma das características mais reconhecíveis da cidade. No centro histórico, são aproximadamente 40 quilômetros de passagens cobertas, construídas em diferentes épocas e com materiais que vão da madeira medieval ao concreto do século XX.

Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, inclui os pórticos nos roteiros pela Emília-Romanha não apenas como elemento arquitetônico, mas como uma maneira de compreender o crescimento de Bologna. Em 2021, doze conjuntos representativos desse sistema foram inscritos na lista de Patrimônio Mundial da Unesco.

Uma solução urbana que nasceu na Idade Média

Os primeiros pórticos começaram a aparecer por volta do século XII, quando a expansão dos pisos superiores dos edifícios sobre as ruas criou novas áreas cobertas no térreo. O crescimento da cidade, impulsionado também pela presença de estudantes e professores ligados à universidade, ajudou a consolidar esse modelo.

Em 1288, uma norma municipal tornou obrigatória a construção de pórticos em novos edifícios e determinou dimensões mínimas para permitir a circulação. A altura estabelecida correspondia a cerca de 2,66 metros, suficiente para a passagem de um homem montado a cavalo, inclusive usando chapéu.

Ao longo dos séculos, aquilo que começou como solução para ampliar os edifícios passou a integrar a vida cotidiana da cidade, abrigando circulação, comércio e encontros mesmo em dias de chuva ou calor intenso.

Por que ela considera importante caminhar olhando para a arquitetura

Para Antonella, percorrer Bologna sob os pórticos sem entender como eles surgiram significa perder uma parte importante da história urbana da cidade.

“Quando você entende por que os pórticos começaram a aparecer e percebe que eles continuaram sendo incorporados à cidade durante séculos, a caminhada muda. Não são apenas passagens protegidas da chuva ou do sol. Eles mostram como Bologna encontrou uma forma muito particular de conciliar edifícios, circulação e vida pública”, pontua Antonella Giancoli.

A variedade também aparece ao longo do percurso. Há estruturas medievais de madeira, pórticos renascentistas e barrocos e exemplos modernos, mostrando que esse modelo não ficou restrito a um único período histórico.

Um pórtico que sobe até o Santuário de San Luca

O exemplo mais conhecido fora do centro é o Portico di San Luca. Com cerca de quatro quilômetros e 666 arcos, ele liga a região da Porta Saragozza ao Santuário da Madonna di San Luca, no alto do Colle della Guardia.

Construído entre os séculos XVII e XVIII, o percurso foi pensado para proteger os peregrinos das condições do tempo durante a subida até o santuário e hoje continua sendo utilizado diariamente por moradores e visitantes.

Nos roteiros da Benarrivati, caminhar por diferentes trechos desse sistema permite observar Bologna por uma característica que vai além de seus monumentos mais conhecidos. Os pórticos não aparecem como cenário: continuam cumprindo a mesma função essencial de conectar edifícios, ruas e pessoas dentro da vida cotidiana da cidade.

Sobre a Benarrivati

Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

 

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