Novo Caged mostra que país já soma quase 922 mil vagas com carteira assinada no primeiro semestre de 2026.
O mercado de trabalho formal brasileiro criou 145.161 empregos com carteira assinada em junho de 2026, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado veio acima do esperado pelo mercado financeiro, que projetava um saldo entre 110 mil e 115 mil postos de trabalho no mês.
Com o resultado de junho, o Brasil acumula 921.645 novas vagas formais entre janeiro e junho de 2026, crescimento de 1,96% no período. Considerando os últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o saldo chega a 963.921 empregos com carteira assinada, elevando o estoque total de vínculos trabalhistas no país para mais de 48 milhões, o maior nível da série histórica recente.
Todos os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas fecharam o mês em campo positivo. O setor de Serviços liderou a geração de vagas, com 74.514 postos, impulsionado principalmente por atividades administrativas e serviços complementares, saúde humana e serviços sociais, e transporte, armazenagem e correio. Na sequência vieram Agropecuária, com 22.898 vagas, Comércio, com 19.177, Indústria, com 14.438, e Construção, com 14.136 postos.
Onde o emprego mais cresceu
No recorte regional, 25 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo em junho. São Paulo segue na liderança isolada, com 34.981 novos postos no mês e 252.558 no acumulado do semestre, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em termos proporcionais, os maiores crescimentos no semestre ficaram com Amapá, Acre e Mato Grosso. Espírito Santo e Tocantins foram os únicos estados com saldo negativo em junho, o primeiro em razão da desmobilização de atividades ligadas à colheita do café.
A geração de vagas também ficou praticamente equilibrada entre homens e mulheres no mês, com 72.569 postos ocupados por homens e 72.592 por mulheres. Já a população de até 24 anos concentrou 86,4% do saldo positivo do período, com 125.430 novos empregos, reforçando a importância do mercado formal como porta de entrada para jovens trabalhadores.
O salário médio real de admissão em junho foi de R$ 2.404,34, alta de 0,7% em relação a maio. Entre trabalhadores considerados típicos, essa média sobe para R$ 2.446,27, enquanto vínculos não típicos, como temporários e pessoas físicas inscritas no Cadastro de Atividades Econômicas, registraram média de R$ 2.101,51, valor 12,6% abaixo da média geral.
Um dado chama atenção entre os analistas: o mês também registrou 760 mil desligamentos a pedido do próprio trabalhador, elevando para 9,2 milhões o total de demissões voluntárias acumuladas em 12 meses, recorde da série histórica. Para consultorias como a 4Intelligence, esse movimento sugere que parte significativa dos trabalhadores brasileiros está migrando proativamente para melhores oportunidades, e não apenas sendo desligada por decisão das empresas.
O que esperar para o segundo semestre
Apesar do resultado acima do esperado em junho, analistas já sinalizam perda de fôlego no curto prazo, diante da escassez de mão de obra qualificada em determinados setores e das incertezas do cenário político e econômico. A projeção de consultorias como a 4Intelligence é de que o país feche 2026 com a criação de cerca de um milhão de novos empregos formais, patamar compatível com uma expansão de apenas 2% do Produto Interno Bruto no ano.
Para quem está em busca de uma recolocação no mercado formal, os dados do Caged seguem sendo uma bússola importante: setores como Serviços e Construção continuam concentrando a maior parte das contratações, enquanto o alto volume de pedidos de demissão reforça que, mesmo em um cenário de juros elevados, ainda existe espaço para quem busca migrar de emprego em condições mais vantajosas.
Fontes consultadas:
Geração de empregos supera estimativas em junho, InfoMoney
https://www.infomoney.com.br/economia/caged-junho-2026-geracao-empregos/
Novo Caged: mercado formal cria 921,6 mil empregos, Agência Gov
https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202607/novo-caged-mercado-formal-cria-921-6-mil-empregos-no-primeiro-semestre-de-2026
Novo Caged mostra que Brasil criou 145,1 mil empregos, Ministério do Trabalho e Emprego
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/julho/mercado-formal-cria-921-6-mil-empregos-no-primeiro-semestre-de-2026