Redes de franquia recorrem a FIDCs dedicados para financiar capital de giro, avalia ID CTVM

Diego Velázquez
Diego Velázquez Notícias 6 Min de leitura
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ID CTVM

Estruturas de antecipação de recebíveis compartilhadas entre franqueadora e franqueados ampliam o acesso a crédito privado com taxas mais competitivas do que a antecipação individual

O modelo de franquias movimenta uma rede complexa de relações comerciais entre franqueadora e franqueados, sustentada por um fluxo constante de recebíveis provenientes de vendas, royalties e taxas de publicidade. Nos últimos anos, esse fluxo passou a ser utilizado como lastro de operações estruturadas de crédito privado, com redes a partir de trinta unidades operando modelos consolidados de antecipação por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios dedicados exclusivamente à própria rede. Nesse desenho, a franqueadora assina o contrato principal que rege a operação e cada franqueado adere individualmente ao fundo, acessando taxas de antecipação até 1,5 ponto percentual ao mês mais baixas do que conseguiria de forma isolada, tema que a ID CTVM acompanha de perto como administradora fiduciária desse tipo de estrutura.

Escala da rede reduz custo de capital para cada unidade

A lógica desse modelo se assemelha à do supply chain finance, no qual o risco da operação passa a estar atrelado à capacidade de pagamento da empresa âncora, nesse caso a própria franqueadora, e não apenas ao franqueado individual que antecipa o recebível. Redes com histórico consolidado de faturamento e baixa rotatividade de unidades conseguem negociar condições mais vantajosas para toda a rede, distribuindo o benefício da escala entre franqueados de diferentes portes e regiões. Para franqueados de menor porte, que isoladamente teriam acesso limitado ao crédito estruturado, a adesão a um fundo dedicado à rede representa uma via de acesso ao mercado de capitais que dificilmente conseguiriam construir de forma independente.

Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o modelo de FIDC dedicado a redes de franquia reflete uma tendência mais ampla de crédito estruturado por ecossistema.

“Quando o fundo enxerga a rede como um todo, e não cada franqueado isoladamente, ele consegue precificar o risco de forma mais eficiente. Isso beneficia diretamente quem está na ponta da operação, geralmente empreendedores de médio e pequeno porte”, assinala o executivo.

Governança do contrato-mãe exige acompanhamento próximo

A estruturação desse tipo de fundo depende de um contrato-mãe que estabelece as regras gerais de adesão, elegibilidade dos recebíveis e condições de antecipação aplicáveis a toda a rede, além de contratos de adesão individuais assinados por cada franqueado que decide participar. Essa arquitetura contratual em duas camadas exige do administrador fiduciário um acompanhamento simultâneo da saúde financeira da franqueadora, que responde pela governança geral da rede, e do desempenho individual de cada franqueado aderente, cujos recebíveis efetivamente compõem a carteira do fundo.

A ID CTVM é habilitada pela CVM e pela ANBIMA para exercer administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria de fundos estruturados, funções que se estendem a veículos dedicados ao financiamento de redes de franquia. A companhia opera um ecossistema de portais integrados por APIs, entre eles o Portal do Gestor, que permite acompanhar em tempo real a adesão de novos franqueados e a movimentação de recursos vinculada a cada unidade da rede financiada.

Cerca de 74% da carteira sob administração da companhia foi constituída organicamente dentro da própria instituição, o que, segundo a ID CTVM, reflete a capacidade de originar e acompanhar de perto estruturas com múltiplos aderentes, como é o caso de fundos dedicados a redes de franquia com dezenas ou centenas de unidades participantes.

Modelo deve se espalhar para redes de menor porte

Para Balassiano, o modelo tende a se popularizar entre redes de franquia de porte intermediário nos próximos anos.

“Hoje esse tipo de estrutura está mais concentrada em redes grandes e consolidadas. Mas a lógica é replicável para redes menores, desde que exista um mínimo de padronização contratual e de governança entre franqueadora e franqueados”, acrescenta o diretor da ID CTVM.

Setores como alimentação, educação, saúde e serviços automotivos, que concentram grande parte das redes de franquia brasileiras, apresentam características distintas de sazonalidade e ticket médio, o que exige do administrador fiduciário um entendimento granular de cada segmento antes de precificar o risco de um fundo dedicado a uma rede específica.

Crescimento deve acompanhar a maturidade contratual das redes

A expectativa entre especialistas é que o crédito estruturado por meio de FIDCs dedicados a redes de franquia continue crescendo nos próximos anos, à medida que mais franqueadoras reconhecem o modelo como uma ferramenta de fortalecimento da própria rede, e não apenas como um benefício financeiro pontual oferecido aos franqueados. Para administradores fiduciários, a capacidade de acompanhar simultaneamente a governança da franqueadora e o desempenho individual de cada unidade aderente deve seguir como um diferencial relevante na estruturação desse tipo de operação. Redes que já demonstraram maturidade em outros processos de padronização, como manuais operacionais e sistemas de gestão compartilhados entre unidades, tendem a apresentar migração mais natural para esse tipo de estrutura de crédito coletivo.

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