Tomossíntese e mamografia digital na detecção do câncer

Ren Takamura
Ren Takamura Notícias 5 Min de leitura
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Vinicius Rodrigues

O Dr. Vinicius Rodrigues costuma citar um estudo norte-americano publicado em 2014, com cerca de 450 mil exames, para mostrar o impacto da tomossíntese no rastreamento do câncer de mama: a associação da técnica à mamografia digital aumentou a detecção de cânceres invasivos e reduziu as convocações para imagens complementares. O resultado ajudou a difundir a chamada mamografia 3D, mas a comparação com o exame convencional envolve vantagens e limites que precisam ser considerados.

Duas formas de registrar a mama

A mamografia digital produz imagens planas. Os raios X atravessam a mama comprimida e todas as estruturas aparecem sobrepostas em uma única imagem, como se o volume da mama fosse achatado em uma folha. Quando duas estruturas ficam alinhadas, uma pode esconder a outra ou formar uma imagem que lembra uma lesão.

Na tomossíntese, o tubo de raios X se movimenta em arco sobre a mama e faz várias exposições de baixa dose em ângulos diferentes. Um programa reconstrói essas informações em cortes finos, de cerca de um milímetro, que o radiologista examina um a um. O resultado é uma visualização em camadas, que separa estruturas antes sobrepostas.

Onde a tomossíntese leva vantagem

O principal benefício aparece nas mamas densas. Na imagem plana, o tecido glandular pode esconder um tumor ou criar a falsa impressão de uma lesão. Ao separar as camadas, a tomossíntese torna mais nítidas as bordas dos nódulos e as distorções discretas da arquitetura da mama.

A redução de reconvocações é outro ganho. Muitas imagens suspeitas na mamografia convencional são apenas sobreposições de tecido normal, que se desfazem quando vistas em cortes. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, menos convocações significam menos ansiedade para as pacientes e menos exames complementares para a rede de saúde.

Os limites da nova tecnologia

A tomossíntese não traz o mesmo benefício para todas as mulheres. Em mamas predominantemente gordurosas, a mamografia digital já oferece boa visualização, e o ganho adicional é menor. Na avaliação de microcalcificações, a vantagem também é discreta, e a imagem convencional continua tendo papel importante.

Há ainda questões práticas. O equipamento é mais caro e ainda está concentrado em grandes centros e na rede privada, a leitura de dezenas de cortes exige mais tempo do radiologista e o armazenamento das imagens ocupa mais espaço nos sistemas. A dose de radiação pode ser um pouco maior quando os dois exames são feitos juntos, diferença reduzida com o uso de imagens sintéticas.

O que é a imagem sintética?

Para evitar duas exposições, muitos serviços utilizam a imagem bidimensional sintética. Em vez de fazer uma mamografia convencional e uma tomossíntese, o sistema reconstrói uma imagem plana a partir dos próprios dados da tomossíntese.

A técnica mantém a dose próxima à de uma mamografia comum e preserva a visão geral da mama, útil para comparar com exames anteriores. De acordo com Vinicius Rodrigues, a combinação entre cortes e imagem sintética tornou a tomossíntese viável para uso em larga escala, sem acréscimo relevante de radiação.

Qual exame escolher

Na prática, a mamografia digital segue como base do rastreamento, por seu custo, disponibilidade e eficácia comprovada. A tomossíntese tende a ser indicada com mais frequência para mulheres com mamas densas, para esclarecer achados duvidosos e em serviços que dispõem do equipamento. Mulheres com risco aumentado também podem se beneficiar.

Estudos de grande porte ainda acompanham se o aumento da detecção se traduz em redução da mortalidade. Conforme pondera Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a escolha entre as tecnologias deve considerar o perfil de cada paciente e a estrutura disponível, já que uma mamografia digital bem feita e interpretada continua sendo uma ferramenta eficaz de detecção precoce.

 

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